1. Brasil

Olavo: “Será que agora vocês entendem?”

22 de maio de 2017 - 11:46:43


Não adianta chorar sobre o leite derramado, mas agora, finalmente, terá ficado claro aos olhos de todos por que, em vez do impeachment da Dilma, era absolutamente necessário exigir a anulação total das eleições de 2014 e a prisão dos membros do TSE?

Em março de 2015, o povo tinha força para isso. Bastava organizá-lo e dirigir suas energias para o alvo certo.

A elite estava atordoada e amedrontada. Os Arruinaldos, Kims e demais impeachmentistas deram-lhe tempo de refazer-se e dispersar o povo.

Foram, nisso, ajudados pelos seus adversários “intervencionistas”, que preferiam tudo esperar dos militares em vez de organizar o povo para a ação direta.

A política do Brasil nos últimos anos tornou-se, para usar a expressão do Carlos Drummond de Andrade, “um vácuo atormentado, um sistema de erros”.

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Será que agora entendem — tarde demais — que o inimigo do Brasil não é só o petismo, mas o estamento burocrático inteiro?

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E será que entendem que no fundo do estamento burocrático está o filisteísmo, o desprezo pelo espírito, que é a fé única e suprema das nossas classes dominantes?

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E será que entendem que o comunopriapismo das nossas universidades nunca poderá fazer nada contra o filisteísmo, só reforçá-lo?

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Não haverá uma política decente no Brasil antes de (re)constituída uma intelectualidade de alto nível capaz de fiscalizar com severidade o discurso político.

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O reinado do pseudo-intelectual universitário ambicioso e sem escrúpulos não parece, mas É um flagelo pior do que toda a corrupção federal, a qual jamais teria vindo a existir sem ele. Quem prepara a classe política, senão as universidades?

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Sempre que soube o que era preciso — e possível — fazer, eu o disse. Agora já não sei mais. Se voltar a saber, avisarei, mas sem a menor esperança de ser ouvido.

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Aécio Neves e Michel Temer, convocados pela História a tornar-se heróis nacionais, preferiram conservar a amizade dos cocôs. .

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Quando encontrar um militar, avise-o de que a nação, a conselho médico, não pode aguentar mais uma dose de cu-doce.

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Já observei que na literatura nacional só se encontram personagens “irônicos”, no sentido da escala Aristóteles-Frye, isto é, coitadinhos que estão sempre abaixo da situação e se deixam arrastar ou corromper por ela sem nem ter consciência clara do que está acontecendo.

Se vocês se lembram da máxima de Hugo von Hofmannsthal, “Nada está na política de um país que primeiro não esteja na sua literatura”, terão aí um bom estímulo para meditar sobre as raízes culturais da pequenez moral generalizada.

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Se bem me lembro, foi Michel de Montaigne quem disse que entre o homem culto e o inculto há mais diferença do que entre um homem e um ganso.

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Ah, já sei, aparecerá alguém com a história das pessoas simplezinhas repletas de sabedoria. Confesso que no Brasil jamais vi uma pessoa simplezinha, muito menos simplezinha e sábia. Quando mais inculto o cidadão, mais metido e palpiteiro.

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Cá entre nós, o único sujeito simplezinho que conheci no Brasil fui eu mesmo. Nunca fui nada além de um zé-mané que estudou. Não tenho nem diproma.

 

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  • Breno

    Perfeito, professor. A mudança ideal e abrupta que poderia ter ocorrido nas primeiras manifestações não ocorreu, acredito que por envolver diversos sentimentos dispersos e pouca coordenação das pessoas, somados com forças militares humilhadas por anos e que tiveram inimigos colocados nas posições mais altas de comando. A mudança a longo prazo vai depender unicamente da população, será necessário que reajam a cada canalhice da mídia e das organizações internacionais palpiteiras, que escolham corretamente em quem votar, que os próximos políticos causem um choque no discurso da esquerda e que o novo presidente consiga ao menos terminar seu mandato.

    • WLUIZ TRI

      Concordo com você Breno, porem acrescento entre os motivos que não permitiram a mudança abrupta lá em 2015 era grande falta de interesse e conhecimento politico que existia naquela época e ainda existe ate hoje, no entanto estamos vendo uma mudança de comportamento por parte da população em buscar mais conhecimento sobre a politica de uma forma geral, eu mesmo sou um exemplo disso, pois só comecei a me interessar pelos acontecimentos políticos a partir de 2012 aproximadamente, tenho aprendido muito e feito novas descobertas desde então, mas ainda sim me considero um semi-analfabeto funcional, estou tentando melhorar isso.
      Ainda temos a maior parte dos brasileiro cegos por uma ideologia ou mesmo por alguns “benefícios” que esperam do governo, fora o medo de enfrentar a situação corrupta que temos ai.

  • gustavo druziki

    A dúvida é se o Lularápio voltaria a ser candidato no caso de uma cassação da chapa Dilma-Temer. Eis aí o perigo. Urnas eletrônicas fraudáveis e o Lula de volta.

    • WLUIZ TRI

      Gustavo, não tenho duvidas disso.

  • Henrique Rodrigues de Sousa

    Fato…

  • Fernando

    Parece que o Leonardo disse: “A simplicidade é o último grau da sofisticação”, é isso mesmo? De qualquer forma aqui no Brasil isso é raro. A moda aqui é o simplório, que em nada se assemelha ao simples.

  • Dener Stakflerdt

    O país caminha a passos largos a um cataclisma de consequências devastadoras pois inexiste no pensamento tupiniquim a lógica social, a clareza construtora de ideais justos com intuito de unificar a nação;temos sim um Frankenstein anarco punk devorador da institucionalidade racional o que levará por fim não apenas a ruptura do Status Quo politico mas apresentará a já devastada e analfabeta sociedade brasileira a toca do coelho e o famoso jargão: “bem vindo ao mundo do real.” Entende-se aqui não apenas o Zeitgeist mas a modalidade de pensamento desagregador ,destruidor não constituído de um sistema basilar onde o homem publico é o resultado de pura reflexão das necessidades do povo como um todo . O que temos então ? O politico ou ser metastático ou vírus social que implode a vida cotidiana mas também é ferramenta de uma especie de reengenharia social; — Digo ! A obtenção de pequena possibilidade de viés criador ,uma vez que, o que resta é terra arrasada é em termos gerais uma ruptura em um sistema de valores onde o indivíduo é apenas um numero; aqui o que se propõe e avalizar vulnerabilidade do atual establishment uma vez o mundo das sombras do escopo politico acredita piamente que tudo e todos estão dominados mas o ” Cogito ergo sum” grita, resultado de um nascimento quase que metafisico,mistico ;alguns assim podem querer ;prefiro acreditar que as vias da dor e do sofrimento são de fato as bases unificadoras de hoje um estado e amanhã doravante uma nação! — Sim! Nação ! Nacionalidade ! Institucionalidade ! Amor a pátria ! Amor a bandeira ! Sensação de livre consciência por entender claramente que todos nós somos um país chamado Brasil.

  • WLUIZ TRI

    ‘Quando mais inculto o cidadão, mais metido e palpiteiro.’ #FATO

  • Luiz Carlos Zanoni

    concordo.. realmente é um zé mané…

  • Leonardo Boccaletti

    Tem um problema que é o seguinte: o povão não sabe como se deu a fraude eleitoral em 2014. Então como protestar contra algo que nem se sabe direito? E até o prof. Olavo não explicou direito, em detalhes, no passo a passo, para ficar bem crível, bem claro, indubitável. Assim ficaria mais fácil sair uma revolta.

  • Depois que vi uma pesquisa do IBOPE constatando que 75% dos brasileiros cometeriam um ato de corrupção se tivessem chance, perdi as esperanças

  • “Em março de 2015, o povo tinha força para isso. Bastava organizá-lo e dirigir suas energias para o alvo certo.”

    Discordo nesse ponto, pois o máximo que se conseguiu juntar de manifestantes espalhados em todo o Brasil foi cerca de 2 milhões de pessoas (menos de 1% da população). Para se ter noção de como isso foi fraco, a maior “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” juntou cerca de 1 milhão de manifestantes (mais de 1% da população) com muito menos recursos de comunicação.

    E enquanto ainda tem gente chorando, outros estão trabalhando para criar o primeiro partido de direita da “nova república”: o Partido Militar Brasileiro -PMBR – cujo número será o 38.

  • Lívio Oliveira

    Professor Olavo, sua tese de anulação das eleições de 2014, quando ocorreu o movimento popular em 2015, é interessante. Mas, pergunto: se estas eleições tivessem sido anuladas, não se corria o risco do molusco sair vitorioso na disputa presidencial? Afinal, ele não contava com alta rejeição como ocorre hoje. Toffolli também continuava presidindo o tse. As urnas eletrônicas continuavam e continuam sendo as mesmas da eleição de 2014. Seria apenas a oportunidade perfeita para o molusco de nove dedos voltar ao poder.