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Caso Santander: opiniões, direito, Antonio Obá e a resposta de Felipe Diehl

16 de setembro de 2017 - 18:56:19

O caminho normal da formação de opiniões passa por três fases: partimos de um SÍNTESE CONFUSA de várias impressões, em seguida procedemos à sua ANÁLISE e por fim chegamos a uma SÍNTESE DISTINTA.

Esse trajeto, no Brasil, tornou-se proibitivo. Incapaz de análise, cada um se apega à sua síntese confusa inicial e a defende com unhas e dentes, batendo no peito com o orgulho sublime de ser um paladino da verdade e da justiça.

Isso acontece EM TODO E QUALQUER DEBATE PÚBLICO DE QUALQUER ASSUNTO QUE SEJA.

Tudo palhaçada, teatro, pose e, no fim das contas, loucura.

O caso Santander não poderia ser exceção.

A eventual IMORALIDADE de uma obra artística ou literária pode ser absorvida e transcendida pela sua forma estética, porque a finalidade dela está na forma e não no mero assunto representado. Por isso é que uma mesma obra pode ser interpretada segundo valores morais, políticos e religiosos opostos entre si, sem que seja possível alegá-la, conclusivamente, em favor de uns ou dos outros. Por isso há um Dostoiévski marxista e um Dostoiévski reacionário, o mesmo acontecendo com Balzac. Por isso há um Baudelaire cristão e um Baudelaire anticristão, e haverá sempre.

Também por essa razão é que qualquer obra de real valor estético tem o direito de ficar imune ao julgamento da censura de diversões públicas.

Totalmente diferente é o caso de uma obra que infrinja, não os meros códigos morais majoritários (ou a censura de diversões públicas, o que dá na mesma), mas a LEI PENAL VIGENTE. Nesse caso a qualidade artística não exime o artista de culpabilidade, mas, ao contrário, a agrava. É o que acontece com o ultraje a culto (art. 208 do C.P.). Se o próprio conteúdo da obra constitui um vilipêndio a objeto de culto em vez de simplesmente representar esse vilipêndio, absorvendo-o e neutralizando-o na forma estética, a qualidade artística dessa obra já não constitui a sua FINALIDADE, mas apenas o INSTRUMENTO usado para a prática do crime, instrumento que configura e prova o intuito deliberado e doloso com que o artista a produziu. Tanto mais deliberado e doloso quanto mais aprimorada a forma artística.

Tanto os críticos quanto os defensores da exposição do Santander se mostraram incapazes de fazer essa distinção, os primeiros oferecendo aos segundos o subterfúgio capcioso de alegar-se vítimas de “censura”, os segundos aproveitando-se gostosamente desse subterfúgio.

*

O que DEFINE o caráter estético de uma obra é justamente a impossibilidade prática de julgá-la conclusivamente por um critério fora do estético, toda tentativa nesse sentido resultando em conclusões mutuamente contraditórias.

No caso das obras do Antonio Obá, no entanto, não existe a menor possibilidade lógica de interpretá-las num sentido pró-cristão, como se pode fazer, por exemplo, com os poemas de Baudelaire, cujo satanismo jamais se saberá se é literal ou irônico, ou com os livros de Henry Miller, que são imorais sob certo aspecto e altamente moralizantes por outro.

Os quadros do referido pintor não desfrutam dessa ambiguidade característica da obra estética: são decididamente e conclusivamente anticristãos. O ultraje a culto, quando neles se manifesta, não é simplesmente o seu assunto, mas a sua finalidade.

*

Nesse sentido, o Obá é um pintor, mas não um artista. Ele é um propagandista de idéias, que usa a habilidade artística como mero instrumento.

*

Até as peças de Bertolt Brecht, que na intenção eram pura propaganda comunista, podem ser apreciadas fora e contra essa finalidade, o que prova que, boas ou más, são obras de arte. Mas tire o anticristianismo dos quadros do Obá. e eles ficarão totalmente esvaziados de sentido.

A finalidade dos quadros desse pintor é ofender o mais artisticamente possível a sensibilidade cristã. Nada mais.

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Se o intuito de estimular a pedofilia é difícil de provar, de vez que a mera representação pictórica não configura tomada de posição em favor do objeto representado, o crime de ultraje a culto é um dado objetivo, inegável e mais que demonstrado no caso do Santander, e é também uma constante nas obras do Antonio Obá. Se o ultraje é “artístico” ou não, é uma questão que pode ser debatida, inconclusivamente, até o fim dos tempos. Esse debate faria sentido no caso de um ato de censura, nas não na qualificação puramente penal do episódio. A exposição do Santander não está sendo enquadrada em nenhum Código de Censura de Diversões Públicas, e sim no Código Penal Brasileiro. O Art. 208 do Código Penal não admite nenhuma ressalva artística e não tem NADA a ver com considerações estéticas. Se o próprio Michelangelo Buonarotti saísse do túmulo e pintasse um quadro de hóstias com a inscrição “cu”, ele talvez não merecesse ter a sua obra censurada, mas sem a menor sombra de dúvida estaria enquadrado no Art. 208. Mesmo porque o quadro não seria a mera representação de um ultraje, e sim o próprio ultraje em ação, exatamente como no caso presente: O artista, nesse episódio, não pintou alguém escrevendo palavrões nas hóstias, mas ele mesmo tomou a iniciativa de escrevê-los. Ele não está “representando” um crime, mas cometendo-o. Isso é tão óbvio e patente que qualquer tentativa de desconversa só pode ser canalhice ou estupidez.

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No caso do Santander, não são só os defensores da exposição que confundem, como verdadeiros retardados mentais, censura de diversões públicas com enquadramento penal. Os próprios líderes do movimento CONTRA a exposição já entraram em cena confundindo essas duas coisas, dando margem, portanto, a que os santanderistas devotos posassem de vítimas de censura.

O Roberto Campos dizia que a burrice, no Brasil, tinha um passado glorioso e um futuro promissor. O FUTURO JÁ CHEGOU.

*

O Felipe Diehl confirma honestamente o que eu disse a seu respeito. Parabéns pela sua franqueza, Felipe.

NOTA DE ESCLARECIMENTO
Nunca declarei, seja para a Época, seja para qualquer outro veículo de imprensa, ser aluno do Prof. Olavo de Carvalho. Não declarei, primeiro porque seria mentira (nunca me inscrevi no COF), segundo porque sei o meu lugar e teria vergonha de me equiparar com isso a amigos que são infinitamente mais inteligentes, capazes e dedicados do que eu. No mundo olavético, sou um admirador genérico do professor como outros tantos milhares que se limitaram a ler o Mínimo e compartilham seus posts. Sei o meu humilde lugar.

De fato, afirmar que eu seja “devotado ao ideário” (seja lá o que isso signifique) do Olavo de Carvalho não é a única imprecisão da matéria da Época. Ela também atribui a mim uma camiseta que jamais usei e reproduz a mentira mil vezes repetida da esquerda de que o Rafinha BK teria agredido a Dep. Juliana Brizola (só se tiver sido com perigosas perguntas), entre outras coisas.

Peço perdão ao Prof. Olavo se, ainda que involuntariamente, fui motivo de constrangimento para ele. Tudo o que faço de bom ou de ruim, de útil ou contraproducente, faço exclusivamente em nome deste grosseirão de Uruguaiana aqui.

 

  • Danilo Dalla Vecchia

    Desperdício de farinha dessas hóstias – que poderiam virar pães – mais dinheiro de contribuintes jogados no ralo – num Pais que está a beira de uma carestia – é o que mais me revolta nisso tudo .
    A ”ÔNUS” e George Soros estão ‘cagando-se e andando’ para a população dita cristã do Brasil .

  • marcelo almeida

    O objetivo primeiro da arte é a beleza. Caso contrário trata-se de contracultura. Atentado aos princípios espirituais, morais e éticos de um povo em determinada época.

  • Rafael

    “Art. 208 do Código Penal – Decreto Lei 2848/40
    Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:”

    Então vamos entender a lei, em vez de fazer de conta que ela diz o que a gente quer que ela diga:

    “Escarnecer de alguém publicamente” – trata-se de algo pessoal. Se eu digo, “João é um imbecil, porque acredita que Maomé é o profeta de Deus”, eu estou escarnecendo de João. E aí é crime. Se eu digo, “a ideia de que Maomé é o profeta é ridícula”, eu não estou escarnecendo de ninguém. E aí não é crime.

    E não vejo como as obras de arte em questão possam estar “escarnecendo” de alguém.

    “Impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso” – exige que se trate de cerimônia ou culto religioso. Se eu entro numa missa católica e quando o padre começa a distribuir a hóstia eu começo a gritar que se trata de um ato de antropofagia ritual, eu estou cometendo um crime. Se eu digo a mesma coisa num seminário de pós-graduação sobre Religião Comparada… meh.

    “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” – isso é o que o pastor fez com a santa, chutando-a em frente às câmaras. Agora, que vilipêndio há numa figura que funde o Cristo crucificado com um desses deuses hindus de muitos braços?

    • Renato Martinez

      Rafael,

      A hóstia, para os católicos, é muito mais do que uma imagem de santa, e até mesmo “rasgá-la” seria menos ofensivo do que imprimir nela as palavras que foram escritas. Então se “o que o pastor fez com a santa” é vilipêndio, no seu parecer jurídico, ao menos a “obra” com as hóstias também o é, de forma até mais flagrante e inescusável.

      Quanto ao Cristo fundido com o deus hindu, o vilipêndio, evidentemente, não está apenas na fusão, mas sobretudo nos mimosos objetos que a criatura segura nas diversas mãos. É justamente o amálgama da crucificação do Cristo – o ponto fundamental da fé cristã – não apenas com outro deus, mas com toda sorte de perversão sexual, o que caracteriza vilipêndio de objeto de culto religioso.

      • Pedro Hongaratti

        Esse Rafael é uma puta esquerdista, tanto que até omitiu o caso das hóstias imaculadas!!

  • Rebeca

    O fato de expor crianças a cenas de sexo explícito ou pornográfico já é tipificado na lei 8069,
    artigo 241-D como crime de pedofilia! Então, mesmo que não exista
    qualquer cena de crianças se tocando, praticado, simulando a prática de
    sexo ou expondo sua nudez, o crime já ocorreu! Eu vejo essa
    interpretação da lei como óbvia! Principalmente por que a
    jurisprudência, nesse caso, diz que o entendimento deve ser extensivo e
    na restritivo! “Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

    I – facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de
    sexo explícito ou pornográfica com o fim de com ela praticar ato
    libidinoso;” Lembrando novamente que a jurisprudência diz que o entendimento da lei deve ser
    extensivo e não restritivo, ou seja, quanto mais abrangente for para
    proteger as crianças melhor! Então o fato dos responsáveis pela
    exposição alegarem que não tem a intenção de praticar ato libidinoso com
    as mesmas ou que era só uma obra de ‘arte’ não é relevante! Esse artigo foi incluído com a
    lei 11829 de 2008. Então, acho que tripudiar nos símbolos religiosos não foi o único artigo da lei violado pois, a visitação das exposição era livre para o público infantil! Se a exposição fosse aberta tão somente para público adulto não haveria crime de pedofilia aí! Mas o público alvo era exatamente o de crianças e adolescentes!

  • Thiago

    #Bolsolavo2018

  • Marcos Pereira

    A mentalidade revolucionária resume-se a querer destruir ou triturar tudo, transformando o resultado da destruição, numa massa pastosa, passando peneira fina em tudo ou todos(*) que possam remeter a história real ou valores reais da história, para dali moldar tudo e a todos ao seu ideário. Isto partindo da pré-requisito ateu/materialista de que o homem nada mais é do que corpo, com órgãos e sistemas comandados por uma massa encefálica de neurônios e sinapses. Não somos tal simplificação: Temos uma alma em construção e uma Presença Divina, condições fundamentais para o instituto da Ressurreição. Como podemos dizer, os rebeldes, do terço, conhecem ou admitem no limite apenas um terço. Um terço que ao fim de uma vida será descartável ou reciclável. O que é da Terra é da Terra ou que é da Alma, o que é do Espírito, é de Deus. É triste ainda termos que discutir assuntos tão repugnantes, mesmo após Vinte e um séculos da vinda à Terra de Nosso Mestre e Senhor.
    Urge tem paciência, perseverança e Fé.
    (*) Vejam como os ditadores revolucionários estimulam êxodos- Os exilados do prometido paraíso dos comunas.

    • José Ferreira

      Caro Marcos, a descrição “corpo, com…… e sinapses” é uma boa descrição do que somos. E não é nada simples. É fruto de mais de dois bilhões de evolução. No início era simples, mas agora é enormemente complexo. Alma, você deve saber bem, é “conversa pra boi dormir”. Ressurreição é uma palavra vazia, inflada pelo charlatanismo religioso. E cadê a presença divina? Outra balela dos espertos e dos ingênuos. Fazer o quê? Somos todos frutos de um longo processo natural que começou com o big-bang. Mestre e senhor são conceitos que estamos tentando banir da história, fruto de uma passado escravocrata e autotoritário. Viva os novos valores do livre-pensamento, do humanismo e e da liberdade!

      • Marcos Pereira

        Caro José,
        Estude primeiro, para depois refutar. A ignorância, pior que o charlatanismo, tem levado esse planeta a absurdass épocas de trevas e genocídio.
        Uma das prioridades de minha vida, foi a busca pela Verdade alcançável. Longo período de aprendizado, decepções de descobertas. Isto sempre num crescente descobrimento da realidade.
        A confusão que impera em nossas mentes é fruto exclusivo da ignorância e da falta de percepção da realidade.
        Você deve entender e aceitar que não existe nada que não tenha sido projetado, criado ou mantido por alguém, pessoa ou grupo de pessoas que se dedicam a uma projeto. Da preparação de uma festa de casamento ao projeto de um novo lançamento de smarphones, a complexo projeto de um avião, tudo exige dedicação de indivíduos. Isto claro, a nível planetário. Acontece que a realidade não é tão simples assim. Em outros níveis existem outros seres com elevado conhecimento e capacidade para tocar projetos de altíssima complexidade. Desde a criação de um simples planeta habitável ,até complexos Sistemas, Constelações, Universos Locais , Galáxias, Superuniversos , indo até os limites do Universo Mestre, que abarca toda a criação – que ainda está em mobilização.
        Todas as espécies de plantas, animais, e mesmo as raças humanas, foram objeto de projetos meticulosamente elaborados por alguém. Nada é criado sem que se tenha um criador.
        Quanto a história, de que história se fala? De fragmentos da história que mal chegam a 30.000 anos, em um planeta como mais de 5 bilhões de anos, de uma civilização humana com quase 1 milhão de anos.
        Sim meu caro, nós humanos somos muito mais do que os limites da carne e do osso. Para podermos viver temos uma série de ajudas sem as quais regressaríamos à mais simples vida vegetativas. Vou além da Alma moroncial e o Espírito Divino, o Ajustador de Pensamento: Temos mais ajudas. Os espíritos ajudantes da mente, não pessoais – Intuição , Compreensão, Coragem, Conhecimento, Conselho e Adoração e Sabedoria – sendo que estes dois últimos são exclusivos para nós humanos. Ainda temos dois tipos de presenças divinas: O Espírito da Verdade, efundido em Pentecoste, espírito de presença do Filho Criador, que esteve na terra em sua sétima e definitiva auto outorga como Jesus Ben Josef, ou Jesus de Nazaré, e o Espírito Santo, espírito de presença da Filha Criativa, confundido pelos católicos com a Terceira Pessoa da Trindade do Paraíso. Esses dois seres maravilhosos, Nosso Senhor e Nossa Senhora ( que confundem com a mãe terrena de Jesus) são os criadores conjuntos de nosso Universo Local, Nebadon, cujo projeto iniciou-se a inacreditável, mais de 900 bilhões de anos.
        Ah! É bom saber que o Universo dos Universos é septenário pela simples razão de ser o número que se refere às associações individuais e associativas dos atributos da Trindade do Paraíso (A Ilha Eterna do Paraíso é o maior corpo do Universo, situado no centro de toda a criação. Não a vemos pois, está além dos sete círculos do 1 bilhão de mundos perfeito de Havona, que por sua vez é cercado por corpos escuros gigantescos de gravidade): Pai, Filho, Espírto, Pai+Filho; Pai+Espírto, Filho+Espírito, Pai+Filho+Espírito.
        Pelo que você vê, a realidade vai muito mais além do Corpo, da Alma ( em construção), e a Presença em nossas mentes do Espírito Divino, O Ajustador de Pensamento.
        Para maiores detalhes, leia, estude e questione, a Quinta Revelação de Época, o Livro de Urântia, Nome de nosso planeta nos registros do Paraíso, isto, sob número: 5.342.482.337.666. Sendo que o 666 não é nenhum # da besta mas, a simples centena do registro de nosso planeta.
        Só voltaremos a ter qualquer discussão após você ler e estuda a literatura recomendada.