1. Cultura

Ciência, filosofia e a harmonia interna da consciência humana

25 de outubro de 2017 - 2:20:29

Quando você conversa com um profissional de qualquer área científica, especialmente se formado no Brasil, é quase impossível fazê-lo compreender que TODA teoria científica tem alguma base filosófica apriorística cuja validade (ou falta de) NÃO PODE ser comprovada pelo desenvolvimento posterior da mesma ciência. Uma vida inteira dedicada ao estudo da física newtoniana não levará ninguém a provar ou impugnar as noções de “espaço absoluto” e “tempo absoluto” que Newton tomou como premissas, pela simples razão de que todos os cálculos e experiências, nessa área do conhecimento, estão previamente baseados nessas noções. É pueril acreditar, como é comum entre os profissionais da área, que, se a teoria em questão “funciona”, isto é, dá certo nos experimentos e aplicações, isso valida retroativamente as suas premissas filosóficas. Essa validação só poderia ser obtida, ou por argumentos filosóficos, ou pela prova do fracasso de todos os experimentos e aplicações baseados em premissas diferentes ou antagônicas. Mas em geral o próprio sucesso prático de uma teoria dissuade a classe científica de tentar esses experimentos alternativos.

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Se a filosofia é a busca da unidade do conhecimento na unidade da consciência, a ciência experimental só pode progredir rompendo essa unidade e levando as conclusões dos experimentos às suas últimas conseqüências, façam elas sentido ou não para a consciência humana. A física quântica é o melhor exemplo de teoria comprovada experimentalmente cujo “sentido”, confessadamente, escapa aos seus próprios formuladores. A ciência experimental não se ocupa em resolver problemas filosóficos, mas em criá-los.

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O progresso ilimitado da ciência experimental, sem a devida e concomitante integração dos seus resultados na harmonia interna da consciência humana, produz inexoravelmente o caos intelectual que só por um milagre deixará de resultar no caos generalizado da existência social.

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O amor a esta ou àquela ciência em particular, desacompanhado da preocupação filosófica com o seu “sentido”, é apenas uma idiossincrasia pessoal sem valor, um “gostinho” que o sujeito tem, como o gosto por futebol ou alpinismo. Levar isso a sério demais é um sinal de imaturidade intelectual.

 

 

  • marcelo almeida

    A sadia e absolutamente necessária harmonia interna da consciência humana só é possível se alicerçada nos princípios espirituais judaico/cristãos.

  • Marcos Pereira

    Embora tenhamos atingido níveis elevados nas inúmeras especialidades da Ciência Mecanicista, apercebe-se nela deplorável limitação. Tanto Newton com Einstein, embora consagrados cientistas, tomaram determinadas conclusões que hoje soam pueris. O primeiro tinha na gravidade universal um absoluto que não sabia da origem da fonte, o outro ainda tinha em conta que a velocidade da luz era uma barreira/limite intransponível.
    Tanto a Ciência, como a Filosofia, sendo inevitável incluir a Religião, apenas alcançam seus nobres e honrosos objetivos desde que propagada por indivíduos com amplo e crescente horizonte de consciência. São inevitáveis para tal finalidade, que o sujeito tenha em conta a Realidade Deus Pai, a autoridade do Filho e uma certa noção da Realidade Cósmica – sua origem e provável destino.
    Nestes tempo da Era da Comunicação, devemos buscar fontes primárias, que mostrem amplos sinais de credibilidade ( fontes, interconexões e senso comum), para nos mantermos atualizados, bem informados.
    Nesse sentido, o trabalho que vem realizando o Professor Olavo é fantástico: Além de abrir nossas mentes para para novos horizontes, possibilitou o aparecimento de uma nova classes de intelectuais, que treinados por ele nos cânones cognitivos que engrandecem o raciocínio, tem provocados abalos, mesmo rachaduras na hegemonia do decadente pensamento comuno-globalista.
    Hoje mesmo tive oportunidade de exercer essas técnicas ao debater com um( ora vejam) admirador de cuba.
    Olavo nos deu a possibilidade impagável de tirar esquerdistas da zona de conforto – Ante sala da queda de sua hegemonia.

    • Felipe Toget

      Nessa ceara, Marcos, está encravada a teoria do helocentrismo, como sendo a verdade absoluta. Buscando as fontes primárias, percebi que não vivemos numa bola giratória e que o universo não é da forma como a “ciência moderna” nos explica. A Criação é a prova misteriosa da nossa existência.

      • Tataum

        Também me questiono sobre o heliocentrismo, pois até hoje ninguém respondeu a seguinte questão:
        Por que o céu noturno é praticamente o mesmo durante todo o ano?
        Não deveria o céu noturno ser diferente a cada 6 meses na medida em que a Terra, após completar meia translação, está do outro lado do Sol, olhando para o outro lado da Via-láctea?

  • Felipe Toget

    kkkkk eu fico rindo aqui sozinho. Olavo explica as problemáticas humanas da forma mais clara e sutil possível. É um mestre! Ele mudou minha forma de “absolver” informações.

  • Renato

    O problema é que as ciências avançam em tal velocidade que, a meu ver, torna-se quase impossível essa integração na harmonia interna de nossa consciência. As pré condições necessárias para que se entenda o estado da arte nas diversas ciências de hoje é gigantesco, quase inconcebível e, como no caso citado da física quântica, desafia o nosso senso de realidade, o que torna sua apreensão ainda mais distante. Na prática, o mundo que nos cerca adquire componentes de magia.
    Um sujeito na Inglaterra da Revolução Industrial tinha muito mais domínio sobre o mundo a sua volta do que nós. Aposto que isso lhe dava uma certeza sobre seu lugar no mundo e lhe assegurava uma confiança como indivíduo muito maior do que temos hoje. Com alguns anos de estudo, qualquer um era capaz de construir um pequeno motor a vapor ou elétrico. Quem aqui hoje sabe e tem meios para produzir uma tela touch (tecnologia de mais de 20 anos…)?
    Tenho pra mim que, tudo aquilo que não compreendemos ganha ares de mágica e, consequentemente, entra no campo da fé – traduzido na expressão “não sei como funciona, mas acredito”. É a hora em que a ciência ganha o ar da religião e isso é extremamente perigoso, uma vez que a Ciência tem um viés utilitarista, extremamente mundano. Quem quer viver numa sociedade puramente tecnocrata?
    A meu ver, esse utilitarismo não permite a transcendência que é o que nos faz seres humanos melhores. O utilitarismo apenas nos acomoda dentro das nossas fraquezas e mundanidades. É na transcendência que elevamos nossos espíritos e criamos um entorno melhor.