1. Cultura

Classes letradas

21 de julho de 2017 - 2:57:20

Hoje em dia é quase impossível, nas classes ditas letradas deste país, alguém conceber o respeito e a devoção que os escritores de antigamente — um Lima Barreto, um Graciliano Ramos, um Herberto Sales, um Josué Montello, um Jorge de Lima — tinham pela sua arte. A idéia de colocar o próprio umbigo acima dos seus deveres para com ela jamais lhes passou pela cabeça.
A arte, para eles, era um valor moral antes de tudo. Hoje em dia isso se tornou incompreensível.

Um dia, no Rio de Janeiro, reparei que meus alunos estavam rindo sem que eu tivesse contado alguma piada. Aí me explicaram:

— É que com a mesma mão, enquanto prossegue a aula, você está segurando um cigarro aceso, uma xícara, uma garrafa térmica e ainda apertando o botão da garrafa térmica para despejar café na xícara. Estamos esperando a hora em que isso vai dar merda.

Eu nunca havia reparado em semelhante acrobacia, que a partir desse momento se tornou mais difícil, porque, além de realizá-la enquanto continuava concentrado no assunto da aula, passei a espiar de esguelha para ver se havia alguém rindo. Isso ultrapassou o limite da minha coordenação motora.

Lembrei-me desse episódio porque não entendo como alguém pode ver algum narcisismo num sujeito que, enquanto fala, concentra toda a sua atenção no assunto e nem repara se seus gestos são elegantes ou ridículos.

Jornalistas promovem abertamente o assassinato do presidente e, quando ele reage com uma PIADA, eles se fazem de vítimas assustadinhas.

Quando vocês ouvirem jornallistas dizendo “Nós somos putas”, não acreditem. Isso é tentativa de usurpar a boa reputação das mães deles.

*

Quando criei o conceito de “metacapitalismo”, houve quem desse risadas. Agora tornou-se claro que é um instrumento descritivo exato e indispensável a quem deseje entender o jogo de poder no mundo de hoje. Exemplo:

https://www.facebook.com/bernardopkuster/videos/10155580516093395/

*

A apologia do capitalismo contra o socialismo é fútil e vazia se não levar em conta a crítica do capitalismo empreendida em três fronts principais: (a) a tradição marxista; (b) o socialismo nacionalista ítalo-germânico (aparentado ou não ao nazifascismo); (c) a literatura católica (Chesterton, Bloy, Péguy, Bernanos e tutti quanti). Dedicar uns três anos ao estudo dessas fontes não faria mal nenhum aos liberais mais assanhadinhos.

 

 

  • Paulo Damasceno

    Mais um texto magistral cuja a reflexão equilibrada e certeira nos encanta, mestre Percival Puggina!

  • Sheila Prass

    Perfeito!

  • Robson La Luna Di Cola

    Isso mesmo. Mas os extremos se encontram. A abordagem Dórica está sendo um desastre. Se deixarem, ele privatizará ruas e calçadas. E até o oxigênio atmosférico. E teremos que pagar taxas para empresas privadas para podermos andar nas calçadas, dirigir pelas ruas, e respirarmos…

  • Leonardo Silva

    O modelo de pseudoprivatizações feitas pelo governo PSDB via FHC, já é, por si só, um trauma para grande parte do povo, que nasceu nesse Brasil de (capitalismo de estado) e nunca sentiu a atmosfera do livre mercado. A República controlada por esse capitalismo oligarca é o respaldo dos esquerdopatas e, em consequência, dos idiotas úteis que nunca ouviram outra opinião.

  • Marco

    Conversa!

    Esquerdista adora estatais e empregos públicos via CCs porque não gosta de trabalhar.

    Se fosse laborar na iniciativa privada, não durariam uma semana em cada emprego, por total incompatibilidade com qualquer ofício que os afaste do desejado ócio.

    Tudo vagabundo, sem exceção.

  • Rodrigo Ribeiro

    Esquerdistas odeiam a privatização pelo simples fato de que o funcionalismo público é um dos maiores currais eleitorais das esquerdas. Simples. Aqui no RS, é o funcionalismo público quem elege os governos, geralmente.

    Além de que, de lambuja, alguns [esquerdistas] ganham cargos de CC ou até mesmo de diretorias em certas estatais.

    Entretanto, convém notar que o modelo de “privatização” adotado por Britto nos anos 90 só resultou em mais monopólio, pois a área das telecomunicações jamais conseguiu se livrar das mãos do governo por completo. O resultado é que, hoje, somente 3 grandes players controlam a telefonia no Brasil: Telefônica da Espanha, Telmex e a Oi (falida).

    Assim sendo, se for para “privatizar” e manter uma regulamentação governamental pesada sobre o setor, garantido ao privatizador seguir sozinho no mercado, de nada vai adiantar.

  • Luiz F Moran

    “ECONOMES”
    Keynesiano: come o bolo todo antes de começar a festa.
    Heterodoxo: come o bolo todo antes do parabéns e acusa outra pessoa.
    Ortodoxo: come o bolo durante a festa, diz que não gostou e ensina a sua própria receita.
    Liberal: não vai a festa.

  • EDUARDO CARREIRO MACHADO

    Por favor comecem privatizando as empresas que prestam serviços sem qualidade e as empresas atoladas em corrupção. O mais importante, não emprestem dinheiro do povo pelo BNDS, para espertalhões comprarem as estatais. Por fim vendam pelo valor real e não na bacia das almas.

  • Charles Reis

    “Privatizem as vossas mães!”
    Piada pronta essa. A minha é privada.
    Esquerdistas socializam suas mães???

  • Julio Cesar

    Se a questão fosse passada por um filtro simplificador, veríamos que a esquerda abomina a privatização de uma empresa porque, quando isto acontece, o lucro da mesma vai para um reduzido número de empresários particulares, enquanto a empresa estatal reverte os seus lucros para o estado, ou seja, para que seja redistribuído a todos os cidadãos sob a forma de obras públicas. Trata-se, portanto, de uma questão ideológica ligada à teoria política. A princípio não há nada de “malévolo” nessa ideia esquerdista, muito pelo contrário. Porém, da mesma forma que a direita parece não entender o “altruísmo democrático” da ideia não-estatizante, a esquerda fecha os olhos para o lado negativo que comumente assola as empresas públicas: se mal administradas -o que comumente acontece em países de governos corrompidos como o do Brasil-, em vez de lucro estas geram prejuízo ao estado. Aí retornamos ao início da questão. A privatização pode ser benéfica se for bem negociada e se com ela vier a possibilidade de alavancar a expansão econômica e geração de empregos. Já a estatização é um princípio do socialismo que, teoricamente, dificilmente funciona em sociedades capitalistas. A princípio, faltaria a ela o princípio da competitividade, a meritocracia e o dinamismo ambicioso da busca dos altos lucros – porém, se bem administrada, pode reverter em favor do bolso dos trabalhadores. É uma questão que consegue ser extremamente simples em sua essência e extremamente complexa em sua execução, porque depende do sistema econômico vigente e da eficácia dos seus agentes.

  • Matheus Saldanha

    O correto seria ideia*, artigo muito bom!