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Como a esquerda usa a linguagem

11 de dezembro de 2017 - 20:10:12

Detalhe importantíssimo: militantes de esquerda usam as mesmas palavras da linguagem comum, mas dando-lhes um sentido diferente no seu vocabulário especial, de modo que a mesma palavra é compreendida num sentido pelo público leigo, e em outro sentido pelos “de dentro”, pela militância. Praticamente todo porta-voz da esquerda sabe jogar com esse duplo sentido, levando a platéia a crer que ele diz uma coisa quando, para os fins práticos da atividade revolucionária, está dizendo outra completamente diversa.

Por exemplo, a palavra “ditador”. Para o público geral, significa um governante controlador e autoritário, que suprime as liberdades, envia os opositores à cadeia, etc. No vocabulário técnico do gramscismo, significa qualquer um que, subindo ao poder, reverta o progresso do controle hegemônico, pouco importando que o faça por meios ditatoriais ou democráticos. Quando o esquerdista acusa, por exemplo, o Donald Trump de ser um ditador, a platéia leiga acredita que ele oferece perigo real para as liberdades democráticas, mas a militância esquerdista sabe que ele está apenas atrapalhando a ascensão dela ao controle hegemônico da sociedade.

 

  • tabajara_music

    Sem falar dos apelos emocionais. Coisa que dá muito resultado em cima de um povo cabeça fraca.

  • Ricardo

    Obrigado, Professor! Voce sempre foi a luz no início do túnel.

  • Hattori Hanzo

    touché!

  • Marcos Menezes

    Exatamente,muito bem dito.A esquerda é especialista em usar a língua dupla.

  • Osvaldo Pereira Júnior

    Isso acontece muito quando Dilma ou Lula dizem que vão defender e implementar a democracia.

    Eles não estão mentindo quando dizem isso, mas a democracia que eles estão se referindo é o fortalecimento do partido, a criação dos conselhos populares de base (sovietes), regulamentação da mídia (censura), desmilitarização da polícia (criação de uma nova polícia a serviço do partido) e etc.

    Quando os leigos escutam que Lula defende a democracia eles acham mesmo que Lula quer liberdade de imprensa e estado mínimo sendo que é exatamente o contrário.

    Ou seja, a palavra em si “democracia”é linda e maravilhosa para os leigos, mas a esquerda sabe muito bem que a democracia é a do partido e para o partido.

    • Newton (ArkAngel)

      Por esse motivo que é improdutivo discutir com esquerdalhas. Não há garantia nenhuma de que eles entenderão o que falamos, é como tentar rodar um programa para Windows em um Mac.

      • Osvaldo Pereira Júnior

        Esquerdistas leigos são uma espécie de fanáticos religiosos. Eles tratam o socialismo não como uma ciência da razão mas como uma religião propriamente dita. Esses só o tempo pode dar jeito, geralmente depois dos trinta anos a maioria se concerta e cai na real deixando de ser otário e vira conservador (meu caso por exemplo).

        Já os líderes e intelectuais da esquerda esses sim são espertos. A esmagadora maioria deles já sabem que o socialismo é uma farsa, mas precisam continuar defendendo a causa para que a militância continue apaixonada e eles da elite do movimento obviamente continue com os bolsos cheios e com a vida boa de dar inveja a qualquer burguês capitalista.

        É aquele típico sujeito que defende comunismo em Paris, comendo escargot e indo para o motel com putas de luxo.

      • #Liberais, estilo #MBL e #NOVO30 são exemplos de canalhice.

        • Renato Lorenzoni Perim

          Explique seu comentário.

    • Odilon Rocha

      Perfeito, caro Osvaldo.
      Sempre foi isso. Para os recalcados e invejosos do mundo qualquer coisa que vá contra o poder econômico, não interessa como, não é autoritarismo.

      • Osvaldo Pereira Júnior

        E quando eu digo líderes de esquerda eu não estou me referindo a esses bostas da USP, mídia ou representantes de movimentos sociais lambe-saco do PT. Eu estou me referindo a líderes do nível de um Mao-Tsé-Tung, Kim Un Jong, Pol Pot, Fidel Castro, Joseph Stálin, Vladimir Lênin, Herick Honecker, Niculae Ceaucescu e etc. No mínimo um Lula, Maduro ou um Mono Jojoy,Manuel Marulanda ou Timochenko das Farc.

        Esses sim são verdadeiros líderes revolucionários e espertalhões que souberam curtir a vida com a desgraça e a burrice apaixonada alheia.

    • Marcos Paulo

      Que coragem! Cara, eu também cai nessa falácia do discurso pronto. Hoje tenho sérias dificuldades em repensar a vida sem o filtro progressista. Para tanto, o melhor é reconhecer e sair fora.

      Parabéns pela coragem!!

  • Fernando

    A forma como isso funciona está muito bem explicada por George Orwell no seu livro 1984. São basicamente dois princípios, o DUPLIPENSAR, que preconiza como é possível aceitar duas ideias mutuamente contraditórias e excludentes e harmonizá-las como se não houvesse nenhuma contradição aparente, e o outro é a NOVILÍNGUA, onde o idioma é manipulado de forma a expressar apenas a ortodoxia do partido como forma de limitar o intelecto das pessoas, subvertendo o sentido das palavras e eliminando outras que não se mostram úteis nesse contexto.
    Essa manobra do DUPLIPENSAR é utilizada largamente pelo PT e por seus lacaios, como por exemplo no caso das palavras Democracia, Corrupção e Honestidade, quando todos sabem que Lula e o resto do bando são mentirosos, corruptos e antidemocratas, mas em nome da sua causa maior, não precisam ser classificados como tal, mesmo quando fazem alianças com criminosos sanguinários como Fidel Castro e Muhammar Khaddafi. Em um outro sentido, todos os roubos e absurdos que cometeram e cometem não são na verdade atribuíveis a eles, mas podem ser atribuídos a seus opositores, como no caso da massa de desempregados e da maior recessão que tivemos no Brasil. E como exemplos da NOVILÍNGUA petista, temos expressões como “recursos não-contabilizados” (caixa 2), “malfeitos” (crimes de corrupção), “golpe” e “golpistas” (democratas liberais), “coxinhas” (pessoas honestas) e outros que estão por surgir.

    • Newton (ArkAngel)

      Esquerdalhas dão às palavras o sentido que lhes é mais conveniente no momento. Por isso às vezes dão a IMPRESSÃO de serem mentirosos (na maior parte do tempo não é impressão, são de fato mentirosos e canalhas), pois quando muda o discurso, o sentido também muda, de acordo com a conveniência, mesmo porque muitos também se esquecem do que falaram em ocasiões anteriores.

    • Inti

      A academia é farta na introdução de novo vocabulário, e na sua difusão para a manada universitária, principalmente das universidades públicas. Exemplo: problematizar, coletivos, neoliberalismo, etc. Basta ler só um texto da Marilena Chauí (se conseguirem sem ter náuseas).

      • Fernando

        De acordo. Veja que a safadeza passa pela utilização repetida de palavras com o sentido distorcido de acordo com a conveniência do partido. O objetivo é claro, consolidar uma ortodoxia. Pegue, por exemplo, o termo “progressista”, que a esquerda se auto-aplica, num esforço de se diferenciar dos “conservadores”. A palavra “progressista” tem uma conotação positiva, portanto ao se apropriarem do termo, automaticamente todos os que não são da esquerda são necessariamente retrógrados, ou anti-progressistas, ou conservadores no pior sentido. Como recomendou Goebbels, repita a mentira milhares de vezes que um dia ela vira “verdade”.
        O recurso de usar “malfeitos” e “recursos não-contabilizados” ao invés de “crimes de corrupção” e “caixa 2” já é uma técnica um pouco diferente. Ao usar uma palavra vazia de sentido, você retira o peso emocional ou qualquer coloração ideológica que ela possa ter. Por isso, se você falar em “Comintern” não vai ter o mesmo peso que “Internacional Comunista”. Comintern, que muitos nem sabem o que significa, dá uma idéia meio vaga de algum tipo de organização, já Internacional Comunista nos faz pensar em bandeiras vermelhas, palavras de ordem, Karl Marx, centralismo e rigidez ideológica.
        Mas a safadeza maior é o processo lento e insidioso de distorção dos significados, a destruição dos conteúdos com o objetivo de estreitamento do pensamento. Nós estamos vendo isso hoje em dia, com a utilização de termos como “fascistas”, “golpistas”, “A Direita”, “coxinhas”, “malfeitos” e outros tantos.
        Claro que, ao contrário do que comentou o Rodrigo Taira, essa gente o faz sem a minima sofisticação, o processo é conduzido de forma tosca e canhestra, mas com os efeitos nocivos desejados. Orwell dá uma magistral aula na seção final do seu livro, onde ele discorre sobre as técnicas da Novilíngua, recomendo a leitura, para entendimento de como se pode manipular o intelecto dos incautos através da manipulação da linguagem. Nada mais sofisticado do que isso.

  • Rodrigo Taira

    É a novilíngua na prática, porém, com um grau de sofisticação maior que Orwell tenha “previsto”. A novilíngua não é criar novos termos; é dar a termos já existentes significados diversos.
    .
    Como o próprio Olavo nos ensinou; é o significante vazio ou esvaziamento semântico.

  • Anderson Alves

    Sempre usando o pensamento dialético. Para convencer o público leigo. Principalmente o brasileiro. Que em todos os aspectos é burro. É a espécie que não conhece o objeto de estudo, e quer falar sobre. Só opinam.

  • Gilmar Coimbra

    Várias coisas despertou minha atenção aqui. Vou destacar duas para não ‘encher muito a linguiça’.

    O título, claro, já fala por si só.

    Uma: o Osvaldo dizer “Quando os leigos escutam Lula…”. – Ecoa engraçado por ligarmos “leigos a escutar”, principalmente o Lula. Me lembro de alguém dizer que leigos nunca escutam, apenas ouvem.

    E a outra é o mesmo Osvaldo dizer isso: “…depois dos trinta anos a maioria se conserta e cai na real, deixando de ser otário; e vira conservador (meu caso, por exemplo).”

    E, de novo, concordo com ele. Impossível é não nos lembrarmos do “Imbecil Coletivo” e do “Idiota” de Olavo de Carvalho.
    E, tal qual Osvaldo (eu também, claro)… e milhões de outros brasileiros, todos nós estamos dentro desse montante de “Filhos da Idiotização e da canalhice Esquerdista”.

    Quem (tem que ser muito honesto) até os seus 30 ou 35 anos, vivendo no Brasil, não foi (ou é) um tremendo idiota e/ou um “zumbi” na e da política?

    Quem em sã consciência se atreve a dizer que atravessou os “5 primeiros ciclos (x7)”, de forma consciente e atento ao que acontecia e acontece no Mundo Político?

    Tenho certeza absoluta que pouquíssimos foram capazes e tiveram esse “grande privilégio”.

    A grande maioria, sejamos sinceros, gasta o precioso tempo com um pouco de estudo (quando muito); mas muito mais com butecos, campos de futebol, shows de Rock, Rave’s, galera reunida, papos furados, etc.

    E, como disse Osvaldo, quando chegamos aos 35 anos, por “n” motivos as fichas começam a cair. Levamos um susto, entramos em depressão, ficamos irritados e bastante confusos.

    Alguns chamam isso (o famoso ‘entrar na Toca do Coelho’)… de “mordida no pescoço da Mula”!

    E, para completar, após a mordida “podem” ocorrer muitas perdas (positivas): acabam amizades incertas, relações familiares estremecem, experimenta-se a “autocombustão” (hic!), uma solidão doida (e doída) toma conta da pessoa, etc.

    A linguagem dos esquerdistas se aprimoram com o passar do tempo; isto é certo!
    Os pensamentos e as ideias atingem níveis comparáveis aos dos ‘micro-organismos’ que invadem os corpos rompendo o sistema imunológico, devoram tudo o que podem e transformam o ser num verdadeiro Zumbi Comunista!