1. Cultura

Um dever a cumprir

21 de maio de 2017 - 9:38:04

Quando, convidado a listar os “livros que mudaram a sua vida”, o sujeito responde com clássicos do porte de Dante, Homero e Shakespeare, ele pode impressionar uma platéia que ignore até mesmo essas autores, mas dá, com isso, a mais decisiva prova de incultura que se poderia exigir.
Clássicos antigos, medievais e renascentistas existem para FORMAR a mente enquanto é jovem, não para “mudá-la” depois de adulta.
Mudança é encontro com algo novo, inédito, inesperado.
O homem que aos quarenta ou cinquenta anos é “mudado” por um livro que teria a obrigação de haver lido aos quinze ou vinte só prova que não teve formação nenhuma.
É como alguém que, no ano de 2017, descobre que Hitler invadiu a França.

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Muitos livros formaram a minha mente, e já mencionei centenas deles nas minhas aulas, mas só um “mudou a minha vida”. Foi “La Vie Intellectuelle” do P. Sertillanges. Não porque me ensinasse algo de muito inédito, mas porque me mostrou um dever a cumprir, e esse dever se tornou a minha vida.

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Desde a adolescência eu já sofria com a vulgaridade e indolência mental do ambiente brasileiro, fenômeno que foi se tornando mais deprimente com o passar do tempo. Foi o livro do P. Sertillanges que me mostrou que eu poderia fazer alguma coisa contra isso em vez de ficar só choramingando.

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Isso mostra que tomo a expressão “livro que mudou a minha vida” em sentido literal, material e sério e não apenas como exibição de gostosura, como é moda hoje em dia.

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A esta altura, meus alunos já devem ter compreendido que o reinado da estupidez esquerdista nunca foi “o” problema, mas apenas a forma temporária e particularmente grave que a indolência cultural brasileira assumiu durante quatro ou cinco décadas. Digo “particularmente grave” porque deliberada, organizada e dispendiosíssima.

  • WLUIZ TRI

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