1. Mentalidade Revolucionária

Capitalismo x Socialismo

21 de julho de 2017 - 3:12:26

A apologia do capitalismo contra o socialismo é fútil e vazia se não levar em conta a crítica do capitalismo empreendida em três fronts principais: (a) a tradição marxista; (b) o socialismo nacionalista ítalo-germânico (aparentado ou não ao nazifascismo); (c) a literatura católica (Chesterton, Bloy, Péguy, Bernanos e tutti quanti). Dedicar uns três anos ao estudo dessas fontes não faria mal nenhum aos liberais mais assanhadinhos.

Todo idiota acredita piamente que qualquer corrente de pensamento que ele desconheça — e da qual não ouça falar na mídia todos os dias — já está, por definição, “superada”.

Um dia darei um curso sobre as tradições anticapitalistas. Vocês ficarão impressionados não só com a riqueza de idéias aí contida, mas com a superficialidade da resposta liberal. Depois de haver absorvido esse material, continuo cem por cento pró-capitalista, com uma diferença: eu SEI das responsabilidades envolvidas nisso.

Liberalismo, em noventa e nove por cento dos casos, consiste em estar a favor da coisa certa pelos motivos errados.

 

Tão-somente ANALFABETOS acreditam que o nazismo só tinha de socialista o nome. Seis ou sete décadas de discussões internas no movimento socialista, encabeçadas por discípulos rebeldes de Marx como Ferdinand Lasalle e Werner Sombart, prepararam o seu advento. Por volta de 1920 a síntese de socialismo e nacionalismo já era um princípio estabelecido nos meios revolucionários alemães, praticamente sem oposição (exceto entre grupos marxistas ortodoxos que àquela altura ainda eram internacionalistas). Hitler só lhe acrescentou a tonalidade especificamente militarista e imperialista que se tornou a marca registrada do seu partido e da sua política. Não deixa de ser significativo que, logo em seguida, Stalin adotasse exatamente o mesmo princípio na URSS, transmutando a revolução mundial em “grande guerra patriótics” (sic).

É um absurdo condenar como nazistas todos os que participaram dessas discussões e, com base nisso, desprezar suas idéias sem precisar conhecê-las. A crítica anticapitalista e antidemocrática que alguns deles desenvolveram é, sob muitos aspectos, superior à marxista. Refiro-me especialmente a Oswald Spengler, Ludwig Klages e Werner Sombart,

Hitler não acrescentou ao chamado “socialismo alemão” (como o denominou Werner Sombart), ou “socialismo fascista” (como preferia Drieu La Rochelle), nem o estatismo ferozmente centralizador, que era um dogma unanimemente aceito nesses meios, e nem mesmo o anti-semitismo, que era arroz-com-feijão entre os socialistas.

 

A verdadeira contribuição original de Hitler ao socialismo alemão foi a política expansionista, na qual a maioria dos intelectuais ligados a esse movimento não havia pensado.

Martin Heidegger NÃO tomou parte nas discussões a que me refiro. Chegou ao nazismo diretamente e por uma via muito pessoal.

Werner Sombart definia o socialismo como o regime em que todas as atividades humanas são regidas por um plano geral sob o comando do Estado. Visto sob esse ângulo, o mundo inteiro, hoje, caminha velozmente para o socialismo.

O nazismo pode ser definido, sumariamente, como a militarização imperialista do socialismo alemão.

A Escola Austríaca combateu o socialismo alemão mais nas suas conseqüências práticas (muito bem previstas por Friedrich Hayek em “O Caminho da Servidão”) do que nos seus fundamentos filosóficos.

O sucesso de Hitler deveu-se ao fato de que ele foi o único que descobriu uma via rápida para a instauração do socialismo na Alemanha. Ele percebeu que sem um projeto imperialista seria impossível usar as Forças Armadas como instrumento para submeter toda a sociedade a um plano geral.

Trotski teve a mesma idéia na Rússia — ele falava claramente em militarização da sociedade –, mas o exército russo se demonstrou incapaz de realizá-la de início. O imperialismo russo só teve seu momento de glória quando da invasão alemã, que deu a Stalin o pretexto para se encher de dinheiro americano e montar um exército decente.

Nando Castro Professor, como o Stálin conseguiu tanto dinheiro americano? Eles realmente acreditaram que naquele momento, o melhor era somente derrotar a Alemanha, mesmo que isso significasse fortalecer a URSS?
Olavo de Carvalho Pergunta interessante. A resposta é mais simples do que parece. Stalin infiltrou seus agentes nos altos escalões do governo americano e eles induziram Roosevelt a fazer tudo o que era bom para a URSS. Leia Diana West, “American Betrayal”.

 

Foi a reação horrorizada ante a síntese inevitável de socialismo e militarismo que levou Friedrich Hayek, por contraste, à idéia (de jerico) da “ordem espontânea”, tão acertadamente criticada outro dia pelo Filipe G. Martins.

 

Hitler não inventou nem mesmo a expressão “nacional-socialismo”, que já era usada por Werner Sombart muito antes, como nome de uma proposta política que o nazismo veio a condenar. Também o termo “nacional-bolchevismo” não foi inventado por Alexandre Duguin, nem por Eduard Limonov, nem por russo nenhum. Já circulava nos meios socialistas alemães desde o começo do século XX.

Sombart, um dos maiores cientistas sociais de todos os tempos, foi muito incompreendido por causa do seu hábito de usar expressões correntes do vocabulário político como nomes de conceitos que ele definia de maneira totalmente diversa das idéias populares evocadas pelos mesmos termos.

“A beleza não é senão uma estação intermediária em direção à verdade.”
(Sergiu Celibidache)

 

  • Robson La Luna Di Cola

    Vejam neste texto, a defesa do argumento de que o nazismo não é nem de direita nem de esquerda. Seria uma terceira via.
    http://www.bbc.com/portuguese/salasocial-39809236

    • Antonio Henriques

      Ah, tá! A versão de historiadores de esquerda da UFF (Freixo até o talo!) e USP? Pelo amor de Deus!

      Olha aí a “professora” de história (seria doutrinadora??):

      http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/luta-armada-contra-ditadura-fracassou-porque-estava-isolada-e-nao-tinha-identidade-com-a-sociedade-diz-historiadora

      • Robson La Luna Di Cola

        Vâmu lá: estou pouco me lixando para as convicções ideológicas dos autores de análises histórico/políticas. Só quero saber se suas explicações são racionais, e se refletem a realidade histórica. Falemos sobre este estúpido eixo esquerda-direita, usado pelos retardados mentais de esquerda e da direita para explicar TUDO que acontece neste planeta, e no Sistema Solar. Esquerda = forte poder estatal, assistencialismo, tendência para a estatização de segmentos da economia. No caso extremo, de toda a economia, e um poder político ditatorial conduzido por um único partido. Logo, a direita é o oposto disso: estado mínimo, pluri-partidarismo, e forte domínio da economia privada sobre todas as atividades produtivas. Mas e o nazi-fascismo? Forte nacionalismo, e no caso nazista a defesa do supremacismo ariano, estado forte, uni-partidário, e ECONOMIA PRIVATIZADA!!!! Portanto, não é nem de esquerda, nem de direita, obviamente. A partir destas definições, a China, hoje em dia, é mais nazista do que socialista!!!!

        • Rafael José Caruccio

          Não. O socialismo, como Sombart (citado pelo Professor) expressou, não é somente economia estatizada juridicamente – tudo pertencente ao Estado – , é também e principalmente economia DIRIGIDA pelo Estado. Na Alemanha, os empresários faziam tudo o que o partido determinava. Um velho amigo meu (já falecido) era filho de um alemão de Stuttgart, e contava que seu pai tivera de vir para o Brasil nos anos 30 porque sua profissão era mecânico de automóveis e, como em seu bairro já havia uma oficina mecânica, ele não poderia exercer sua profissão.
          Na China, o governo só permite que haja 4 montadoras de automóveis e, adivinhe que é o dono das 4 (Chery, Lifan, Geely e Jac)? A Geely já comprou a Volvo, ou seja, a maior montadora Sueca pertence ao governo chinês. Em breve a maior parte das empresas do mundo pertencerá ao partido comunista da China, mas, juridicamente, continuarão a ser privadas. E o mais deprimente é o entusiasmo com que os círculos liberais brasileiros festejam isto. Para os liberais, desde que haja eficiência econômica, tudo bem.

          • Robson La Luna Di Cola

            Michel Temer e o João Doria querem vender o Brasil para a China.
            Dentro de sua definição de socialismo, nunca existiu e nunca existirá o liberalismo econômico. Me mostre um país no mundo, onde na porrada ou através de incentivos, e isenções fiscais, os governos NÃO direcionam a economia no sentido que interessa ao país, ou ao seu partido, ou aos seus apaniguados. Liberalismo econômico é uma utopia, como o marxismo.Como digo sempre: o mundo sempre foi e sempre será dirigido pelos ridos e pelos poderosos…

          • Rafael José Caruccio

            Liberalismo total é utopia. É impossível um mundo sem Estado. E onde tem Estado tem burocracia, tem dívida pública, tem obras públicas etc. Eu não disse que não era assim. E a definição de socialismo não é minha, é de Sombart.

          • Robson La Luna Di Cola

            No socialismo de Karl Marx, teríamos a implantação de um Estado forte, assistencialista, promovendo forte cobrança de impostos, e forte atividade de serviços públicos, Legislação trabalhista autoritária, visando defender os interesses do proletariado. Este socialismo seria a etapa preliminar para a implantação do COMUNISMO. A utopia de uma sociedade SEM ESTADO, sem classes, e sem propriedade privada. Agora vem a pergunta: por que nos regimes nazi/fascistas, a primeira providência dos ditadores é acabar com o sindicalismo, e prender/assassinar os membros dos partidos socialistas ou comunistas?

          • Rafael José Caruccio

            A resposta é simples: toda ditadura faz isto. Nos regimes socialistas as organizações trabalhistas ou são fechadas ou trabalham para o partido (leia como era a Iugoslávia). Stalin e Mao Zedong mataram muito mais comunistas que Hitler. O socialismo é apenas o discurso ideológico para se chegar ao poder. Uma vez o objetivo alcançado, começam as perseguições aos colegas de ontem. O Professor já explicou isto um milhão de vezes. E está em muitos livros.

          • Robson La Luna Di Cola

            Não estou convencido. As diferenças são gigantescas, entre a Alemanha de Hitler e a URSS de Stalin. Para mim, esta simplificação de chamar ambos de ditadores socialistas, é um truque para colocar a culpa em Karl Marx por TODAS as desgraças que aconteceram no planeta a partir da Primeira Guerra Mundial. Daqui a pouco vai aparecer gente dizendo que o Estado Islâmico é socialista…

          • Antonio Henriques

            Eu ia responder, mas como trabalho muito e meu tempo é escasso, agradeço ao amigo de cima que respondeu por mim.
            Sugiro ao amigo Robson, uma boa biblioteca na sua cidade (nada de Internet!) e pesquise como e porque Stalin financiou a ascensão de Hitler e porque o poder pela dominação territorial o consumiu a ponto de trair quem lhe ajudou.
            É só uma dica. Um abraço!

          • Robson La Luna Di Cola

            Então me explique porque Hitler invadiu a URSS, sua aliada? O plano era conquistar um território gigantesco, para colonização alemã, se apropriar de seus gigantescos recursos naturais – principalmente o petróleo – e escravizar o povo eslavo – raça inferior – para trabalharem em sua infra-estrutura bélica. E é claro, eliminarem o comunismo da face da terra.

          • Antonio Henriques

            Você mesmo indaga e responde. Blz. Quanto à “eliminar o Comunismo da fave da terra” deixo por sua conta e risco, já que o nacional Socialismo parte da mesma premissa do Comunismo. Só que o Comunismo promete sempre um Estado sem governo, utopia intangível, apenas para se perpertuar no poder graças aos “úteis” apoiadores. O nazismo estava se lixando pra utopias.

          • Robson La Luna Di Cola

            O nazi-fascismo foi o casamento ‘perfeito’ entre os ricos e os poderosos! A salvação da pátria dos capitalistas para impedir a estatização socialista da propriedade privada. Que ameaçava o mundo inteiro. Inclusive, grandes corporações americanas ajudaram no fortalecimento do governo de Hitler. A IBM foi uma delas. Colaborou com sua tecnologia da informação com o Holocausto. Isto está relatado no livro escrito pelo filho de um sobrevivente do Holocausto: ” IBM and the Holocaust”, de Edwin Black. Disponível na Amazon. Eu, que morro de rir das Teorias da Conspiração, vou criar a minha: será que não existe um plano secreto das grandes corporações mundiais, de jogar os crimes sangrentos do nazi-fascismo no colo de Karl Marx, com a ajuda de nossa “elite pensante”, para nos fazer esquecer que muitas delas FORAM CÚMPLICES destes crimes? Não duvido…

          • Robson La Luna Di Cola

            Juntando as peças deste quebra-cabeça: percebe como os grandes capitalistas colaboram com quem quer que seja, para favorecer seu único interesse? O capital? Se um dia, uma seita satânica tomar o controle do planeta, os diretores de Marketing desta turma vai visitar o ditador usando perfumes com odor de enxofre, A fim de estabelecerem uma colaboração mútua entre o Estado e as empresas. Percebe agora o gigantesco desprezo que a Ditadura do Empresariado nutre pela minha religião, o Catolicismo? Que prega a moderação e a caridade? E no caso dos conventos, a castidade e a pobreza? Entre Adam Smith e São Francisco de Assis, prefiro este último!!!

          • Robson La Luna Di Cola

            Você sabia que o grande capital anglo-americano ajudou a financiar a revolução bolchevique? E injetaram dinheiro na URSS até a época de Stálin? Motivo? As gigantescas reserva de petróleo, que pertenciam ao czar Nicolau II, e o desejo de criar um Banco Central mundial, para benefício dos grandes banqueiros internacionais. Parem com esta estúpida visão ideológica do mundo! Sabe o que nos move? GRANA! GRANA!

          • Antonio Henriques

            Sabia sim! Inclusive boa parte do capital que financia movimentos de esquerda no mundo são financiados por grandes grupos americanos. Há muitos americanos ansiosos por destruir a América, uns por maldade outros na inocência de se reconstruir a nação “sem vícios” (nas suas visões).

            George Soros, um dos maiores financiadores do mundo, está banido de entrar em território americano, inclusive.
            “Baboseira ideológica” é apenas um argumento de quem não sabe exatamente o quer quer um conservador, rotulando-o do mesmo modo que um esquerdista. A ignorância sobre determinados assuntos criam este tipo de rótulos ideológicos, a diferença neste caso é que sei exatamente pra onde caminha a esquerda, por estudar eles.

          • Robson La Luna Di Cola

            Sou um paleo-conservador medievalista. Um Cruzado que nasceu 1000 anos atrasado, eheh. Esquerda? O que é a esquerda hoje em dia? Aconteceram tantas mudanças no mundo nas últimas décadas! E nossa “elite pensante” conservadora fica ainda falando em Escola de Frankfurt e Foro de São Paulo… Li recentemente a notícia que existem quase um milhão e meio de milionário na China! O país de Mao Tse Tung! Vejam a RETÓRICA nacionalista do Putin! Vejam o clima que pintou entre ele e a Marine Le Pen! E o Trump! Rússia, o pedaço principal da antiga URSS, país de Stalin!!!! Acordem! Esqueçam teorias! Olhem o mundo real!!!!

          • Antonio Henriques

            Acordado estou desde minha adolescência. Tive professor que morou em Moscou anos antes da queda. Sabe quem são os “milionários” empresários da China, antigos dirigentes estatais do PC que hoje posam como independentes. Basta pesquisar a biografia deles.
            No fundo o que você escreve é mais uma narrativa do que fato concreto. Ignorar os organismos que ditam tais narrativas é o primeiro passo para a derrota, e se os conservadores chegaram até aqui ante ZERO de espaço não foi pelo que você acha que deve ser feito, com certeza.
            Mas pra finalizar, deixo uma formula infalível pra acabar discussões acerca de teimosia e nenhum fundamento: “Ah, tá!”

          • Robson La Luna Di Cola

            Adeus, membros da elite pensante. Vou dar mais uma volta no quarteirão, Para ver o mundo real. enquanto os bobocas ficam lendo livrecos. Baseados em estúpidas abstrações ideológicas. Em seguida, vou ler Miguel de Cervantes, o escritor-soldado. que ridicularizava a racionalização da maldade. Que encontramos no socialismo e no liberalismo. Adeus!