1. Religião

Gurdjieff, uma imensa gozação

25 de maio de 2017 - 15:12:08

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Gurdjieff, que não era nada bobo, dizia que o amor erótico é retribuído com amor ou repulsa, conforme a genética; o amor espiritual, com amor sempre; e o amor romântico, sempre com repulsa.
Logo, os românticos, se não querem sair invariavelmente frustrados, que tratem de apostar na genética e no espírito, e não nas fantasias que os encantam.

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O problema do Uspensky é que ele levava o Gurdjieff a sério — um erro que o próprio Gurdjieff jamais cometeu.

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Se você entende que tudo no Gurdjieff é uma imensa gozação, é impossível lê-lo sem exclamar a cada linha: “Gênio!”. Se você o leva a sério, está, como dizia ele mesmo, em maus lençóis.

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O mesmo aplica-se a Emil Cioran.

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Gurdjieff e Cioran assumem a palavra em nome do diabo e fazem da Criação inteira objeto de piada. A mim me parece que o próprio Deus os acha infinitamente engraçados, mas chora cada vez que alguém os leva a sério.

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“Quem me compreende sabe que eu sou um palhaço.” (Emil Cioran)

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Gurdjieff e Cioran serão excelentes amostras no curso “O mínimo que você precisa saber para não ler como um idiota”.

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Um dos motivos pelos quais não posso fazer agora o programa do curso é que os livros dos dois estão guardados no depósito.

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Gurdijeff e Cioran são o diabo em dose homeopática.

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Quando expliquei a intelectuais romenos a minha visão de Cioran, Andrei Pleshu e Gabriel Liiceanu olharam embasbacados um para o outro e comentaram:
— Filho da mãe. Ele nos decifrou.

Diogo Staley Acontece isso da mesma forma com a Blavatsky? Ela e Gurdijeff são a mesma merda ?
Olavo de Carvalho Não. Gurdjieff era um gozador, Blavatsky uma vigarista.

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O problema com F. Nietzsche, Ludwig Klages e Otto Weininger é que eles se levavam tragicamente a sério. Não é possível interpretá-los na clave cômica.

Um morreu louco, o outro virou um nome amaldiçoado e o terceiro estourou os miolos.

  • Ezequiel Martinez

    Comecei a ler, por curiosidade, livros do Rajnesh, aos 13 anos. Depois de mais de dez anos, horas o achando um gênio, horas sofrendo da “síndrome do piu-piu”, percebendo que era um plágio de jiddu krishnamurti. E que formava uma colcha de retalhos com Gurdjeff, Sufismo, induismo, budismo e até cristianismo “reinterpretado”. Deixei de ler quando já era tarde e já tinha me feito mal. Hoje em dia tenho noção do que significou esses movimentos e suas reais intenções.E apesar de não ter participado de nenhuma seita, fiz o trabalho de destruição de personalidade “auto didaticamente ” no silêncio do meu quarto.
    A minha pergunta para o professor Olavo, que não é meu professor mas ainda pretendo ser seu aluno, é sobre a filosofia do krishnamurti. É puro experimento de religião globalista ou existe alguma
    sinceridade no que ele falava? Já imagino a primeira opção, já que foi criação da Blavatsky.
    Nunca ouvi o professor falar sobre essa pessoa, se pudesse, seria no mínimo interessante pra mim.

  • Ezequiel Martinez

    Gostaria de saber o que o professor pensa sobre a filosofia de Jiddu Krishnamurti. Foi mais um experimento de religião globalista ou existe alguma sinceridade ali?
    Apesar de ter, supostamente, rompido com o plano inicial, foi criação da madame Blavatsky.