1. Sociedade

Ascensão de Hitler

11 de julho de 2017 - 5:19:44

Nenhum pensador marxista, formal e declaradamente marxista, que não tenha sido membro do Partido Comunista e apoiado ostensivamente o governo da URSS é jamais acusado de cumplicidade nos crimes do comunismo. No entanto, qualquer pensador sem qualquer conexão com o Partido Nazista cujas idéias tenham sido parcialmente absorvidas pelos teóricos nazistas, como aconteceu com Nietzsche e Klages, Frobenius e Carus, já entra na história com o estigma de precursor do nazismo e cúmplice intelectual de Hitler. Isso é REGRA GERAL até mesmo na historiografia mais séria — o que basta para mostrar o poder avassalador da influência comunista na opinião mundial.

Não esquecer: Segundo Eric Voegelin, os jornalistas e pseudo-intelectuais que destruíram a língua alemã como idioma de alta cultura na década de 30 foram os maiores culpados da ascensão de Hitler.

A missão da filosofia política não é inventar uma sociedade melhor (ou mais provavelmente pior), mas criar os instrumentos intelectuais que permitam compreender as sociedades existentes, e assim ajudar as pessoas — governantes e povo — a avaliar as conseqüências das suas decisões e escolhas. A filosofia política não julga a sociedade existente pela comparação com um modelo ideai, mas pelos critérios gerais da conduta humana estabelecidos por uma sã filosofia moral sedimentada pela experiência e pela razão. Se não há uma filosofia moral superior aos condicionamentos socioculturais das épocas, então estes se tornam os juízes soberanos de si mesmos e se instaura o império do fato consumado, o governo dos mais cínicos e brutais.

Nunca vi a menor razão para não aproveitar, na filosofia e na ciência política, as descobertas de filósofos cujas idéias foram instrumentalizadas (muitas vezes contra a vontade deles) pela política nazista ou fascista, como aconteceu com F. Nietzsche, Carl Schmitt, Ludwig Klages, Charles Maurras e tantos outros. Quaisquer que sejam as minhas objeções pessoais contra a orientação geral dessas filosofias, é impossível não acompanhá-las em certas questões de detalhe nas quais os diagnósticos que elas nos apresentam são úteis e não raro brilhantes.
Do mesmo modo, a crítica marxista da ideologia burguesa é um instrumento indispensável que nenhum anticomunismo pode nos impedir de aproveitar.