1. Sociedade

Conduta moral e línguas

31 de maio de 2017 - 16:49:55

Pela média da conduta moral hoje em dia, se você só cometeu pecados da carne e mais nenhum outro — não roubou, não oprimiu inocentes, não prestou falso testemunho, não sonegou a caridade a seus irmãos, não perseguiu santos e profetas, etc. –, você já é quase um santo. Só falta parar com essa putaria.

E essência do cristianismo:

“«Dite loro che perdonino sempre, sempre! tutto, tutto!»

(Alessandro Manzoni, “I Promessi Sposi”)

 

Há muitas almas puríssimas que, vendo os resultados do meu trabalho, rolam na cama entre lágrimas e dores, perguntando:
— Por que Deus escolheu esse filho da puta e não nós, que somos tão santinhos?
Têm razão. Deus não me escolheu pelos meus méritos, mas justamente pela falta deles. Ele sabia que eu precisava fazer algum servicinho bem feito para Ele ter ao menos uma desculpa razoável para me salvar.

 

O Filipe Trielli tem razão: mimar as crianças não lhes faz mal nenhum. O que faz mal é superproteger, botando medo. Meu padrinho de batismo, que foi como que um segundo pai para mim, me dava literalmente tudo o que eu queria, tornando a minha infância excepcionalmente doce, apesar da doença que me atormentava. Mas, tão logo me vi capaz de correr e pular, ninguém me impedia de entrar em qualquer brincadeira maluca, daquelas em que os garotos sentiam que estropiar-se era a coisa mais divertida do mundo.

Uma vez provado e bem provado pela Dra. Judith Reisman que as pesquisas sexológicas de Alfred J. Kinsey foram nada mais que falsificações criminosas, o fato é que ATÉ HOJE não existe nenhum estudo abrangente confiável sobre a conduta sexual da população americana. É o reino do achismo mais desvairado.

Regras de conduta que não visam à ordem social, mas a um resultado espiritual supramundano e mesmo “post mortem”, não constituem propriamente uma “moral”, exceto metonimicamente. São antes uma TÉCNICA ASCÉTICA, uma antecâmara da vida mística. Cada linha que leio no Pe. González Arintero me leva a essa conclusão.

Cada vez que entendo uma coisa óbvia que torna tudo mais claro, pergunto a mim mesmo: — Por que raios ninguém me avisou disso antes?

Dizer que a moral cristã é a base da ordem social me soa totalmente ridículo. Ela destruiu o Império Romano, caramba! E de que serve o Império Romano — ou qualquer ordem social deste mundo — em comparação com a salvação eterna de milhões de almas?

O número de seguidores desta página aumenta em alguns milhares por semana. Se o número de enfezadinhos aumentar em dez por cento disso, eles já ocuparão um espaço monstruoso na internet, pois jamais sonegam à humanidade o conhecimento das suas opiniões. Não só as publicam, mas as enviam a um por um dos meus seguidores. É muita generosidade.

Que seria da cultura nacional sem as opiniões do Paulo Porcão, dos Veadascos, do Bundadelli e tutti quanti? Seria um deserto, uma devastação, o mundo pós-apocalipse.

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Se eu fosse escrever os meus livros numa língua estrangeira, seria o latim. Não há outra, exceto ele e o português, em que o estilo nobre e o vulgar combinem tão harmoniosamente. E essa combinação é precisamente o meu sonho de escritor. Em inglês você não pode escrever “shit” sem que metade do público saia correndo.

Escrevo em francês correto e falo espanhol razoavelmente, mas sinto que os palavrões nessas línguas são muito agressivos, rebeldes a um uso puramente cômico que é o que sempre tenho em vista. Os do italiano talvez servissem. Leio nessa língua sem dicionário, mas não a domino o suficiente para escrever. Romeno só consigo ler com dicionário. O alemão é uma língua mágica e primitiva, para conversar com fadas e duendes.

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  • José Amaro

    “Dizer que a moral cristã é a base da ordem social me soa totalmente ridículo. Ela destruiu o Império Romano, caramba! E de que serve o Império Romano — ou qualquer ordem social deste mundo — em comparação com a salvação eterna de milhões de almas?”

    O vídeo abaixo pode ser que ajude no entendimento da citação acima: “A busca do bem supremo”…

  • TelesValéria Araújo Pezzin

    Linda colocação.