1. Sociedade

O abstratismo do casamento civil

25 de maio de 2017 - 15:05:56

Um casamento compõe-se de três coisas.
1 – Atração erótica.
2 – Afeição familiar e amor comum aos filhos.
3 – Afinidade espiritual: valores culturais, morais e religiosos compartilhados, convergência nas metas superiores da vida (“idem velle, idem nolle”).
O primeiro fator é genético. Szondi explica.
O segundo é uma questão de bom caráter e educação.
O terceiro, hoje em dia, é um milagre.
Dos três, o único que é relativamente dispensável, em certas circunstâncias, é o primeiro.
Mas a noção moderna do casamento civil ignora os três. Foi a pior idéia de Napoleão Bonaparte.

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O formalismo abstratista — epistemológico e jurídico — está na base do Estado moderno. O casamento civil não une duas criaturas de carne e osso, nem muito menos suas almas imortais. Une dois “cidadãos” — entidades que não existem concretamente, nem na carne, nem no espírito, mas são recortes abstrativos que só têm existência em sentido metonímico e perante as autoridades estatais.
É uma coisa tão utópica que, quando a inventaram, já tiveram de inventar o divórcio junto, pois sabiam que ia dar merda.

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O casamento civil é tão abstratista que, partindo das suas premissas, nada se pode objetar ao casamento gay — o casamento tão abstrato, tão abstrato, que não inclui nem definição dos deveres sexuais respectivos.

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“Quem come quem?” Esta pergunta fatídica jamais ocorre no casamento hetero, mas no casamento gay ela é inevitável.